Trocar o disjuntor geral é serviço de eletricista, porque os terminais de entrada da peça continuam energizados pelo padrão mesmo com o disjuntor desligado. O que dá para fazer sozinho é entender a sequência, escolher a amperagem pelo que a distribuidora definiu para a sua casa e conferir se o profissional está usando o tipo de barramento correto.

Por que o geral não é como os outros disjuntores

Os disjuntores de circuito (tomadas, iluminação, chuveiro) ficam depois do geral: se você desliga o geral, eles ficam sem energia. O geral é a primeira peça depois do medidor, e a energia chega a ele direto do ramal da distribuidora. Mesmo desligado, o disjuntor mantém tensão nos terminais superiores, onde os fios de entrada se ligam.

Um erro comum é achar que abaixar o geral deixa o quadro seguro. Os disjuntores de baixo ficam sem energia, mas o ponto onde o geral é trocado continua ligado à rede. Por isso a norma de segurança em instalações elétricas, a NR-10, e a NBR 5410 tratam esse serviço como trabalho de profissional habilitado.

A sequência que o eletricista segue

O que acontece em uma troca bem feita, para você saber o que esperar:

  1. Avaliação do quadro: ele verifica o estado dos fios, se os terminais estão escurecidos e se o barramento mostra marcas de aquecimento ou derretimento.
  2. Desligamento dos circuitos: abaixa todos os disjuntores internos para que a troca não ocorra com carga ligada.
  3. Desligamento do geral e isolamento da entrada: como os terminais superiores continuam energizados, o profissional usa ferramentas isoladas e procedimento próprio. Em muitos casos, o desligamento do ramal é pedido à distribuidora, e a caixa do medidor é lacrada por ela, o que não se abre sem autorização.
  4. Retirada do disjuntor antigo e verificação dos fios de entrada.
  5. Instalação do novo com a amperagem e o número de polos corretos, e aperto dos bornes com o torque indicado pelo fabricante.
  6. Religação do geral e depois dos circuitos, um a um.
  7. Teste com carga e verificação de aquecimento nos bornes.

Como escolher a amperagem do geral

A amperagem do disjuntor geral não é escolha de gosto. Ela segue a categoria de atendimento da sua casa, definida pela distribuidora com base na carga instalada, e a bitola do fio de entrada. A tabela da distribuidora local prevalece sobre qualquer valor genérico, porque cada empresa publica a sua norma técnica.

O que dá para fazer é estimar a corrente da sua carga. A conta é potência dividida pela tensão, e, em ligação trifásica, dividida também por três em cada fase.

Demanda estimadaMonofásico em 127 VBifásico em 220 VTrifásico 220/127 V
5 kWcerca de 39 Acerca de 23 Acerca de 13 A por fase
10 kWcerca de 79 Acerca de 45 Acerca de 26 A por fase
15 kWcerca de 118 Acerca de 68 Acerca de 39 A por fase

Esses números são correntes calculadas para a demanda indicada, em carga equilibrada. Na prática, as distribuidoras limitam a ligação monofásica a cargas menores, e o limite de cada categoria está na norma da empresa. Eles servem para entender a ordem de grandeza, mas não definem o disjuntor: o geral deve ficar acima da corrente da demanda e abaixo do limite do fio. A demanda real também não é a soma de todas as potências, porque nem tudo liga ao mesmo tempo, e esse cálculo é do eletricista.

Por que o geral não pode ser maior que o fio

O disjuntor protege o fio contra aquecimento. Se o geral for maior que a capacidade do condutor de entrada, a corrente pode passar do limite do fio sem que o disjuntor atue. O fio esquenta dentro do eletroduto e pode causar incêndio. Por isso, a amperagem do geral nunca deve ser aumentada só para parar de desarmar.

Barramento: DIN ou NEMA

O disjuntor precisa encaixar no barramento do quadro. Há dois padrões comuns:

  • DIN: o disjuntor se fixa em um trilho metálico e se liga por barramento tipo pente ou por fio.
  • NEMA: o disjuntor se encaixa direto no barramento do quadro, com dimensões diferentes do DIN.

Os dois padrões não são intercambiáveis. Um disjuntor DIN não encaixa em quadro NEMA, e o contrário também vale. Além disso, o número de polos precisa combinar: monofásico usa disjuntor de 1 polo (o neutro não passa por ele), bifásico usa 2 polos e trifásico usa 3 polos.

Dica prática para você ajudar o profissional: fotografe o quadro e o disjuntor antigo, anote o que está escrito na lateral da peça (marca, corrente, polos, curva) e informe a categoria de atendimento da casa.

O que você pode fazer com segurança

  • Fotografar o quadro fechado e a etiqueta do disjuntor, sem abrir a tampa interna.
  • Conferir a conta de luz, que informa a categoria de atendimento.
  • Observar sinais de problema: disjuntor geral quente, cheiro de queimado, plástico derretido, tampa escurecida ou desarme repetido.
  • Se houver cheiro ou fumaça, desligue os disjuntores de circuito e chame a distribuidora e o eletricista. Se a fumaça ou a chama sai do próprio quadro, não toque nele: saia de casa e ligue para os bombeiros (193).
  • Não abrir a caixa do medidor, não tocar nos terminais superiores do geral e não tentar trocar a peça.

Se o problema for só na tomada ou no interruptor, veja como trocar tomada e interruptor juntos.

Sinais de que o geral precisa ser trocado

  • Aquecimento visível ou cheiro de queimado perto dele.
  • Marcas de derretimento no plástico ou no barramento.
  • Alavanca frouxa, que não fica na posição ligada.
  • Desarme repetido sem aumento de carga.
  • Disjuntor muito antigo, com a identificação apagada.
  • Mudança de carga da casa (ar-condicionado novo, carregador de carro elétrico) que exige redimensionar o geral e o padrão.

O que levar em conta antes de contratar

A troca do geral costuma ser rápida para o profissional, mas o preparo ajuda. Combine o dia com antecedência, porque a casa fica sem energia durante o serviço e geladeira, computador e equipamentos sensíveis precisam ser planejados. Se a distribuidora precisar desligar o ramal, ela segue prazos próprios.

Peça que o profissional informe, por escrito, a corrente do disjuntor instalado, o número de polos e o motivo da escolha. Esse registro ajuda em futuras revisões e em pedidos de aumento de carga. Verifique ainda se o quadro tem espaço para o crescimento da casa, pois um quadro lotado e sem folga complica a instalação de novos circuitos, como o de um ar-condicionado.

Corrente por demanda em 127 V monofásico5 kW39 A10 kW79 A15 kW118 A
Corrente por demanda em 127 V monofásico — tabela de demanda estimada do artigo

Quando chamar um eletricista

Como o geral recebe a energia direto do padrão, a troca deve ser feita por eletricista. Chame o profissional ao notar qualquer sinal da lista acima. Na visita, peça que ele informe a corrente do geral atual, a bitola do fio de entrada e se a categoria de atendimento comporta a carga que você usa hoje. Se a carga aumentou, a mudança pode envolver a distribuidora. Uma pergunta útil é: o padrão de entrada precisa de ajuste, ou só o disjuntor?